segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Igreja celebra Festa dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu

A Igreja Católica celebra a memória dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, nesta segunda-feira, 3 de outubro. No Rio Grande do Norte hoje é feriado estadual.

A Arquidiocese de Natal celebrará a data, na Comunidade de Uruaçu, no município de São Gonçalo do Amarante, no local onde há um Monumento em honra dos Mártires. Lá, na segunda-feira, às 15 horas, haverá show com a banda católica Nova Aliança e, às 16 horas, show com a cantora Maria do Rosário. Às 18 horas, será celebrada missa, presidida pelo Arcebispo, Dom Matias Patrício de Macêdo. Caravanas de fiéis, de todos os recantos da Arquidiocese, se dirigirão a Uruaçu, no dia 3, para participarem das festividades.

No território da Arquidiocese de Natal, existem quatro paróquias dedicadas aos Mártires. Todas também estão em festa, nestes dias.

Na Paróquia do Beato André de Soveral, em Emaús, a programação festiva começou dia 25 de setembro e segue até o dia 3. Diariamente, às 5 horas da manhã, há caminhadas penitenciais, e, às 19h30, missa. Na próxima segunda-feira, às 16 horas, haverá procissão e missa, encerrando a programação.

No bairro de Cidade Verde, a Paróquia do Beato Mateus Moreira, encerra a festa do padroeiro, no domingo, dia 2, às 18 horas, com a apresentação de uma peça teatral sobre a história dos Mártires. A peça é dirigida pelo pároco, Padre Tomás Silveira Neto.

O Santuário dos Mártires, no bairro de Nazaré, em Natal, encerrará os festejos em honra dos padroeiros, na segunda-feira, às 9 horas, com missa solene, presidida pelo Arcebispo, Dom Matias Patrício de Macêdo. À tarde, os fiéis irão, em peregrinação, para a comunidade de Uruaçu.

Já a Paróquia do Beato Ambrósio Francisco Ferro, no Planalto, em Natal, só celebrará a festa do padroeiro, no período de 21 a 31 de outubro.

Os Bem Aventurados Padre André de Soveral, Padre Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e companheiros leigos foram beatificados, pelo Papa João Paulo II, em 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Protomártires do Brasil

Dentro da conturbada invasão dos holandeses no nordeste do Brasil, encontram-se os dois martírios coletivos: o de Cunhaú e o de Uruaçu. Estes martírios aconteceram no ano de 1645, sendo que o Pe. André de Soveral e Domingos de Carvalho foram mártires em Cunhaú e o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e Mateus Moreira em Uruaçu; dentre outros.

No Engenho de Cunhaú, principal pólo econômico da Capitania do Rio Grande (atual estado do Rio Grande do Norte), existia uma pequena e fervorosa comunidade composta por 70 pessoas sob os cuidados do Pe. André de Soveral. No dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo seus liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava.

Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Durante a Santa Missa, após a elevação da hóstia e do cálice, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares.

A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 km de Fortaleza.

Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos de Deus.

Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.

Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro. Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário.

Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia.

Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: "Louvado seja o Santíssimo Sacramento".

A 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa João Paulo II beatificou os 30 protomártires brasileiros, sendo 2 sacerdotes e 28 leigos beatificados.


Protomártires do Brasil, rogai por nós!

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