sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O gosto da profecia cristã

A Igreja nos convida a ouvirmos, meditarmos e daí tirarmos consequências práticas do acontecimento bíblico, agora narrado por São Lucas: Lc 19, 45-48.

Segundo este evangelista, a profética expulsão do Templo ocorreu no mesmo dia em que Jesus entra triunfantemente em Jerusalém, como meta de Sua viagem pascal (cf. Lc 19, 28-39). O mais curto relato dentre os Evangelhos não perdem, nem por isso, a riqueza e profundidade. Vem Espírito Santo e ajuda-nos a desbravarmos este tesouro!

No Evangelho, Jesus se revela como o Senhor e Mestre do templo da Cidade Santa, lugar onde São Lucas apresenta como ambiente próprio dos últimos feitos e ensinamentos do Salvador da humanidade.

Retornando à purificação do Templo, Jesus fundamenta o Seu ato na Palavra de Deus, proferida por Isaías e Jeremias, chamando-O de “novo” Moisés, Isaías e Jeremias, bem compreendendo que n’Ele e para Ele convergiram todas as promessas e profecias, tanto do Antigo como na Nova e Eterna Aliança.

Jesus Cristo é tudo para as Sagradas Escrituras. Mas e para cada um de nós? Resposta que a Igreja Católica reafirmou no Concílio Vaticano II: «A Igreja, por sua parte, acredita que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todos, oferece aos homens, pelo seu Espírito, a luz e a força para poderem corresponder à Sua altíssima vocação; nem foi dado aos homens sob o céu outro nome, no qual devam ser salvos. Acredita também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e mestre» (Gaudium et Spes, nº 10).

Por isso, neste Ano da Fé, precisamos pedir a graça de Deus para pensarmos e professarmos a nossa fé segundo a Igreja de Cristo, a qual segue na história sendo sinal e sacramento da Salvação presente e testemunhada na Palavra do Senhor. Ela atesta, desde o Antigo Testamento, a autoridade que, um dia, seria revelada por e em Jesus de Nazaré: «Porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos» (Is 56, 7).

É bom recordar que o espaço do Templo em que Jesus atuou era reservado aos gentios, mas precisava ser ponto de encontro dos povos com o Deus amoroso, que a ninguém despreza ou trata inferiorizando. Também Jesus citou uma parte do texto do profeta, talvez, mais contestado e corajoso da Antiga Aliança e, por isso, prefiguração do Missionário e Consagrado do Pai das Misericórdias: «Acaso esta casa consagrada ao meu nome tornou-se, a vosso ver, um esconderijo de ladrões?» (Jr 7, 11).

Neste sentido, é que o contato com a Palavra da Verdade sempre precisa promover uma autêntica conversão, como acontecia com aqueles que se encontravam com Jesus pela fé. Sobre isto também ensinou o Papa Bento XVI, na exortação apostólica sobre a Palavra de Deus: «De fato, é precisamente a pregação da Palavra divina que faz surgir a fé, pela qual aderimos de coração à verdade que nos foi revelada e entregamos todo o nosso ser a Cristo: “A fé vem da pregação, e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm 10, 17). Toda a história da salvação nos mostra, progressivamente, esta ligação íntima entre a Palavra de Deus e a fé que se realiza no encontro com Cristo» (Verbum Domini, nº25).

Deixar-se conquistar e purificar pela graça de Cristo, até que nosso pensar, falar, agir e reagir testemunhe-O como o centro de tudo, é uma meta possível de se alcançar, pela ação do Espírito Santo encarnada na nossa história e na disposição de irmos ao encontro dos outros, principalmente os mais desfavorecidos. Por isso, era autêntico o testemunho da Beata Teresa de Calcutá: «Jesus, meu Tudo em tudo!».

Minha vida já comunica esta verdade libertadora? A Providência Santíssima, que nos visita pela Palavra meditada, vivenciada e testemunhada, já foi sentida por mim como amargura aos pecados da minha vida e mel do meu consolo em Deus? Qual é a reação da Palavra de Deus em mim?

O livro da Revelação nos fornece um bom parâmetro: «Vai…“Pega e devora. Será amargo no estômago, mas na tua boca será doce como mel”. Peguei da mão do anjo o livrinho e o devorei. Na boca era doce como mel, mas quando o engoli, meu estômago tornou-se amargo. Então me foi dito: “Deves profetizar ainda contra muitos povos e nações, línguas e reis”» (Ap 10, 9-11).

Eis a Boa Nova de Jesus Cristo que, nem sempre, nos agrada ou está de acordo com as expectativas dos outros. Portanto, precisamos, neste Ano da Fé, nos esmerarmos em pedir humildemente ao Espírito Santo que o nosso profetizar aponte para o Profeta, Senhor, Mestre e centro da Igreja e do plano de Deus para a salvação do mundo.

Ele haverá de transformar todas as realidades e nos ensinar a cooperarmos, com e como Igreja d’Ele e para o mundo. Ainda que custe… «Eu vos digo: se eles se calarem, as pedras gritarão» (Lc 19, 40).

Padre Fernando Santamaria – Comunidade Canção Nova

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

É legítimo matar alguém em legítima defesa?


O que a Igreja Católica diz sobre este assunto?


Algumas pessoas me perguntam se matar alguém para se defender, ou para defender a vida de pessoas inocentes, se é pecado. A Igreja ensina que, não havendo outra saída, pode-se matar o agressor injusto para defender a própria vida e a de outras pessoas inocentes; especialmente isso é válido para os que trabalham nas diversas polícias.

Evidentemente que todo esforço deve ser feito no sentido de não matar, mas, se não houver outra saída, paciência…

A Igreja Católica ensina que: “Se os meios não sangrentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana” (João Paulo II, enc. EV, 56 (1995); Cat. §2267).

O Catecismo da Igreja ensina no §2263 que: “A legítima defesa das pessoas e das sociedades não é uma exceção à proibição de matar o inocente, que caracteriza o homicídio voluntário: “A ação de defender-se pode acarretar um duplo efeito: um é a conservação da própria vida, o outro é a morte do agressor… (S. Tomás de Aquino, S. Th. II-II, 64,7). “Só se quer o primeiro; o outro não” (idem). Neste caso não se deseja matar o agressor, mas defender a própria vida e a de inocentes. Não há a intenção maldosa de matar.

A Igreja também ensina que: “O amor a si mesmo permanece um princípio fundamental da moralidade. Portanto, é legitimo fazer respeitar o próprio direito à vida. Quem defende sua vida não é culpável de homicídio, mesmo se for obrigado a matar o agressor” (§2264). O que não se pode é usar de violência mais do que necessário. “E não é necessário para a salvação omitir este ato de comedida proteção, para evitar matar o outro; porque, antes da de outrem, se está obrigado a cuidar da própria vida” (idem).

O Catecismo chega a dizer que: “A legítima defesa pode ser não somente um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outros, pelo bem comum da família ou da sociedade. Preservar o bem comum da sociedade exige que o agressor se prive das possibilidades de prejudicar a outrem… Por razões análogas os detentores de autoridade têm o direito de repelir pelas armas os agressores da comunidade civil pela qual são responsáveis” (§2265). Isto deixa claro pela Igreja que os profissionais que trabalham com a segurança das pessoas devem defendê-las mesmo usando da violência se for preciso para salvaguardar a vida dos inocentes.

Portanto, há que se fazer de tudo para não matar, mesmo ao agressor injusto, mas, se não houver outra saída para se defender a própria vida e a de pessoas inocentes, a vida a ser sacrificada deve ser a do agressor. Isto é o que a moral católica ensina como “mal menor”. Ele só pode ser alegado quando não se tem outra alternativa para se fazer o bem.

Prof. Felipe Aquino

Jesus voltará


A Igreja Católica não tem dúvida de que Jesus Cristo voltará na Parusia, para julgar os vivos e os mortos, como ensina o Credo.

“Desde a Ascensão, o desígnio de Deus entrou em sua consumação. Já estamos na “última hora”. (1 Jo 2,18; 1Pe 2,4) diz a Igreja.

O Concilio Vaticano II disse que: “A era final do mundo já chegou para nós, e a renovação do mundo está irrevogavelmente realizada e, de certo modo, já está antecipada nesta terra (LG 48) O Reino de Cristo já manifesta sua presença pelos sinais milagrosos (Mc 16,17-18) que acompanham seu anúncio pela Igreja”. (Mc 16,20)

O Catecismo ensina que o Reino de Cristo já está presente entre nós; ainda não está consumado “com poder e grande glória” (Lc 21,17; Mt 25,31) pela volta do Rei à terra. Esse Reino é ainda atacado pelos poderes maus, (2Ts 2,7) embora estes já tenham sido vencidos em sua bases pela Páscoa de Cristo. Enquanto tudo não for submetido a Ele (1Cor 15,18), “enquanto não houver novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça, a Igreja peregrina leva consigo em seus sacramentos e em suas instituições, que pertencem à idade presente, a figura deste mundo que passa e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como que dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus”. (LG 48) Por este motivo os cristãos oram, sobretudo na Eucaristia (1Cor 11,26) para apressar a volta de Cristo (2Pe 3,11-12) dizendo-lhe: “Vem, Senhor” (Ap 22,17.20; 1Cor 16,22). (Cat. §671)

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Educação dos Filhos


As virtudes dos pais são os pais das virtudes dos filhos

O fator mais importante na educação é que os pais saibam conquistar os filhos; não com dinheiro, roupa da moda, tênis de marca, etc., mas com aquilo que eles são; isto é, a sua conduta, a sua moral íntegra, a sua vida honrada e responsável e seu bom exemplo. O filho precisa ter “orgulho” do seu pai, ter “admiração” pela sua mãe, ter prazer de estar com eles, ser seus amigos. Assim ele ouvirá os seus conselhos e as suas correções com facilidade. Mas para conquistar o teu filho você não precisa gastar muito dinheiro com ele, mas terá de gastar muito tempo e dedicação.

Vi certa vez uma frase, em um adesivo de automóvel, que dizia: Adote o seu filho, antes que o traficante o faça. De fato, se não conquistarmos os nossos filhos, com amor, carinho e correção sadia, eles poderão ir buscar isto nos braços de alguém que não convém. É preciso que cada lar seja acolhedor para o jovem, para que ele não seja levado a buscar consolo na rua, na droga, na violência… fora de casa. Sobretudo é primordial o respeito para com o filho; levá-lo a sério, respeitar os seus amigos, as suas iniciativas boas, etc. Se você quer ser amigo do seu filho, então deve tornar-se amigo dos seus amigos, e nunca rejeitá-los. Acolha-os em sua casa.

Muitos pais erram ao mandarem os seus filhos para a casa dos outros para ficarem livres deles, ou para que não façam bagunça em casa; é um grande engano. Deixe que o seu filho traga os seus amigos para a sua casa; então, você os poderá conhecer e evitar as más companhias para eles.

Diante dos filhos os pais não devem ser super-heróis, que nunca erram. Ao contrário, os filhos devem saber que os seus pais também erram e que também têm o direito de serem perdoados; e, para isso, os pais precisam aprender a pedir perdão para os filhos quando erram em relação a eles. Não há fraqueza nisto, e muito menos isto enfraquecerá a sua autoridade de pai. Ao contrário, diante da humildade do pai e da sua sinceridade, a admiração do filho por ele crescerá. Tudo isto faz o pai “conquistar” o filho.



O educador francês André Bergè, diz que “os defeitos dos pais são os pais dos defeitos dos filhos”. Parafraseando-o podemos dizer também que “as virtudes dos pais são os pais das virtudes dos filhos”. Não é sem razão que o povo afirma que “filho de peixe é peixinho”. Isto faz crescer a nossa responsabilidade.

É importante que os pais saibam corrigir os filhos adequadamente, com firmeza é certo, mas sem humilhá-los. Não se pode bater no filho, não se pode repreendê-lo com nervosismo, ofendê-lo na frente dos seus amigos e irmãos. Isso tudo humilha o filho e o faz odiar os pais. Há pais que gritam com seus filhos e os ofendem e magoam na frente de outras pessoas; ora, esta criança ficará com ódio deste pai. E como este pai, ou esta mãe, poderá dar um bom conselho a este filho; ele se negará a segui-lo.

Conquiste o seu filho, não com dinheiro, mas com amor, vida honrada e presença na sua vida. E, sobretudo, leve-o para Deus, com você! São Paulo diz aos pais cristãos :”Pais, não deis a vossos filhos motivo de revolta contra vós, mas criai-os na disciplina e correção do Senhor” (Ef 6,4).

Quanto mais as santas Leis de Deus em relação à família, forem desrespeitadas tanto mais famílias destruídas teremos, e tanto mais lágrimas rolarão dos olhos dos pais e dos filhos.

No capítulo 30 do Eclesiástico, a Palavra de Deus fala aos pais sobre a sua enorme responsabilidade na educação dos filhos. Ele diz: “Aquele que ama o seu filho corrige-o com frequência, para que se alegre com isso mais tarde” ( 30,1). Infelizmente são muitos os pais que não corrigem os seus filhos, ou porque são relapsos como pais, ou porque também precisam de correção, já que também não foram educados. Mais à frente ele diz: “Aquele que estraga seus filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (30,7).

A palavra é pesada, “estraga”, com “mimos”. A criança mimada torna-se problema; pensa que o mundo é dela, e que todos devem servi-la. Não há coisa pior para um filho. Isto ocorre muito com o filho-único, objeto de “todas” as atenções e cuidados dos pais, avós e tios. Aí é preciso uma atenção especial!

“Um cavalo indômito torna-se intratável, a criança entregue a si mesma torna-se temerária” (30,8).
Não pode haver mal maior do que deixar uma criança abandonada, materialmente, mas principalmente na sua educação. “Adula o teu filho e ele te causará medo”, diz o Eclesiástico (30,9).
“Não lhes dê toda a liberdade na juventude, não feches os olhos sobre as suas extravagâncias” (30,11).

Muitos pais, vendo os filhos errarem, não os corrige. Temos que ensinar o filho usar a liberdade com responsabilidade. Não dar-lhe “toda” liberdade. Sem responsabilidade e verdade, a liberdade se torna libertinagem e mau hábito perigoso. Se o trem sair dos dois trilhos, ele descarrila e tomba; se a liberdade não tiver normas se torna vandalismo.

Fonte: Prof. Felipe Aquino

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Escolhe: a Vida ou a Morte


E o primeiro passo para “fazer a vontade de Deus” é cumprir sua Santa Lei.

O caminho da santificação e da vida é “fazer a vontade de Deus”; não pode haver “outra vontade” melhor do que a de Deus. Será que existe alguém mais sábio, douto e santo do que Deus, e que nos conheça e ame mais que Ele? Por isso são “loucos”, insensatos, como disse Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mt 7,24s), que “ouve as Suas palavras e não as põe em prática”; esses estão no caminho da morte espiritual, da infelicidade, construíram a vida sobre a areia movediça.E o primeiro passo para “fazer a vontade de Deus” é cumprir sua Santa Lei. Com muita sabedoria e fé disse o Dr. Francis Collin, gerente do maior Projeto de biotecnologia do mundo, o Genoma Humano: “O ateísmo é a mais irracional das opções”. Todo o Salmo 118, o mais longo, proclama a beleza da lei de Deus. São 176 versículos glorificando a lei de Deus: “Felizes aqueles cuja vida é pura, e seguem a lei do Senhor” (v. 1). “Na observância de vossas ordens eu me alegro, muito mais do que em todas as riquezas” (v.14). “Vossos mandamentos continuam a ser minhas delícias. Eterna é a justiça das Vossas prescrições, dai-me a compreensão delas para que eu viva” (v. 143-144). “Escolhi o caminho da verdade, impus-me os vossos decretos”(v.30). “O único consolo em minha aflição é que vossa palavra me dá vida” (v.50). “Mais vale para mim a lei de vossa boca que montes de ouro e prata” (v.72). “É eterna, Senhor, vossa palavra, tão estável como o céu” (v.89). “Jamais esquecerei vossos preceitos, porque por eles é que me dais a vida” (v.93). “Vossos preceitos me fizeram sábio, por isso odeio toda senda iníqua” (v.104). “Vossa palavra é um facho que ilumina meus passos, uma luz em meu caminho” (v.105). “Muitas lágrimas correram de meus olhos, por não ver observada a vossa lei” (v.136). “Apesar da angústia e da tribulação que caíram sobre mim, vossos mandamentos continuam a ser minhas delícias” (v.143).

Por tudo isso é que a Carta aos hebreus diz que: “A palavra de Deus é viva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes, e atinge até à divisão da alma e do corpo, das juntas e medulas, e discerne os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4,12). Nosso mundo moderno “vive como se Deus não existisse”, e sofre. A religião dá base moral a todas as outras atividades. Como disse Dostoiwiski em “Os Demônios”, “se Deus não existe, então, eu sou deus”. E faço o que eu quero, vivo segundo as “minhas” pobres leis. João Paulo II disse que: “no século XX os falsos profetas se fizeram ouvir”.



Deus sempre exigiu do povo escolhido, consagrado a Iahweh (cf. Dt 7,6; 14,2.21) a observância das Suas Leis, para que este povo fosse sempre feliz e abençoado. Ao povo libertado da escravidão do Egito, Deus manda através de Moisés: “Observareis os mandamentos de Iahweh vosso Deus tais como vo-los prescrevo” (Dt 4,2). “Iahweh é o único Deus… Observa os seus estatutos e seus mandamentos que eu hoje te ordeno, para que tudo corra bem a ti e aos teus filhos depois de ti, para que prolongues teus dias sobre a terra que Iahweh teu Deus te dará, para todo o sempre” (Dt 14,40).

Deus tem grande ciúme do seu povo, e não aceita que este deixe de cumprir suas Leis para adorar os deuses pagãos. “Eu, Iahweh teu Deus, sou um Deus ciumento…” (Dt 5,9). O Apóstolo São Tiago, lembra-nos esse ciúme de Deus por cada um de nós, ao dizer que: “Sois amados até ao ciúme pelo Espírito que habita em vós” (Tg 4,5). Deus não aceita ser o “segundo” amor da nossa vida, Ele exige ser o primeiro, porque para Ele cada um de nós é o “primeiro”. Ele demonstrou isto de maneira clara com o aniquilamento de Jesus por cada um de nós. É por isso que o Primeiro Mandamento diz: “Amar a Deus sobre todas as coisas”; isto é, “amarás a Iahweh teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4). Esse amor a Iahweh se manifesta exatamente na obediência aos mandamentos: “Andareis em todo o caminho que Iahweh vosso Deus vos ordenou, para que vivais, sendo felizes e prolongando os vossos dias na terra que ides conquistar” (Dt 5,33).

Sem viver a lei de Deus o homem experimenta a morte que está escondida no pecado: “O salário do pecado é morte” (Rm 6,23).

A escolha é de cada um: “Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem, e a morte com o mal” (Dt 30,19). Escolhamos, portanto, a vida, a Lei de Deus. Às vezes ficamos arrumando desculpas e justificando a nossa consciência para não cumprir a Lei de Deus; mas Ele nos diz que sua Lei não está acima de nossas forças: “O mandamento que hoje te dou não está acima de tuas forças, nem fora de teu alcance. Ele não está nos céus, para que digas: quem subirá ao céu para no-lo buscar e no-lo fazer ouvir para que o observemos? Não está tampouco do outro lado do mar, para que digas: quem atravessará o mar para no-lo buscar e no-lo fazer ouvir para que o observemos? Mas essa palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração: e tu a podes cumprir” (Dt 30, 11-15). Não fujamos da Palavra de Deus e nem fiquemos nos enganando e, pior ainda, tentando enganar a Deus. Isto seria escolher o caminho da morte.

Fonte: Blog Prof. Felipe Aquino

Qual o sentido da sua vida?

Para Frankl (1991), o homem só se torna homem e só é completamente ele mesmo quando fica absorvido pela dedicação a uma tarefa, quando se esquece de si mesmo a serviço de uma causa, ou no amor a uma pessoa. É como o olho, que só pode cumprir sua função de ver o mundo enquanto não vê a si próprio. O sentido tem um caráter objetivo de exigência e está no mundo, não no sujeito que o experiência.

Ao falar de sentido, estamos fazendo referência ao significado, à coerência, à busca de propósito e finalidade.

Frankl nos expressa como o homem que perdeu o sentido cai em um vazio existencial e sofre; esta frustração existencial pode desembocar em uma sintomatologia neurótica.

O de que o ser humano realmente precisa não é um estado livre de tensões, mas antes a busca e a luta por um objetivo que valha a pena, uma tarefa escolhida livremente.

Nietzsche: “Quem tem um por que viver pode suportar quase qualquer como”

Levar o homem à consciência do seu ser-responsável, enquanto fundamento vital da existência humana. Essa responsabilidade, todavia, significa sempre responsabilidade perante um sentido. (Frankl)

“O que sacrifica dá ao sacrifício sentido, valor, preço. Dar sentido quer dizer entregar-se. Não é o que eu guardo comigo que retém valor; é o que eu sacrifico que adquire valor” (Frankl, 1978)

“O ser humano é o ser que decide o que vai se tornar” (Silveira, 2007)

A Vocação Sacerdotal

Pensando em vocação, contemplando o rosto de Cristo Sacerdote, louvo ao Senhor pelo chamado feito a mim e a todos os nossos irmãos no sacerdócio. Homens que fazem da vida uma experiência constante de doação, homens que Cristo escolheu para continuar a sua obra no tempo.

Hoje reflito a vocação sacerdotal, pois nestes meus poucos anos de padre já percebo seu valor em minha vida, mas também percebemos que muitos da nossa sociedade não a interpretam com o seu verdadeiro sentido ou a interpretam de forma limitada. Devemos lembrar-lhes sempre que a vocação sacerdotal é um caminho edificante, um dom de Deus, uma expressão do seu amor e cuidado para conosco e toda a sociedade. Como dizia o santo Cura d’Ars: “O sacerdote faz renascer no mundo o pensamento e o desejo das coisas do Céu”.

Compreende-se a vida do sacerdote olhando para a vida de Cristo, Ele é o Eterno e único Sacerdote, somos sacerdotes Nele, nos configuramos a Ele. Nele está nosso chamado e missão, assim Ele disse: “Como o Pai me enviou eu também vos envio” (Jo 20,21). O Senhor fazia como seu alimento cumprir a vontade do Pai e realizar a sua obra, não tinha onde recostar a cabeça. Assim é a missão do sacerdote.

A vocação sacerdotal é um verdadeiro “amoris officium”: um oficio de amor. Ele tem a missão, e deve abraçar com coragem e afinco, de fazer o que fez Jesus: “Ele passou a sua vida fazendo o bem” (At 10,38). Somos homens pelo e para os outros, somos chamados a amar, a defender a pessoa humana e sua dignidade, principalmente as mais vulneráveis, as que mais precisam de um braço amigo e solidário. O papa Bento XVI nos recorda: “O sacerdote é aquele que sai dos laços do mundo para Deus, e a partir de Deus, estar disponível para os outros, para todos”. Essa é a missão do sacerdote, para essa realidade é que o Senhor o chamou. Um serviço a Deus, um serviço aos homens.

Foi nessa disponibilidade de servir o povo de Deus que Dom Bosco viveu e nos deixou seu exemplo, assim ele dizia: “Por eles eu rezo, eu estudo, e por eles me santifico”. Os desafios são grandes e as lutas são constantes, o sacerdote deve se ancorar sempre na certeza do consolo de Cristo e se confiar à sua graça que nos renova a cada dia. É em Cristo que o padre encontra a força para o seu caminhar e o sustento necessário para se manter firme neste santo serviço.

Nas minhas recordações, tenho a viva lembrança de Dom Aluísio Lorscheider (in memoriam, 2007), grande mestre na arte teológica, ensinava-nos em suas aulas de Teologia que: “O sacerdote é grande benfeitor da humanidade, é promotor da justiça e da paz; mensageiro do amor de Cristo a cada um e a todos os homens”.

Pedimos que toda a Igreja reze por nossos padres, pela sua fidelidade e, para que continue a nascer na Igreja nova e santas vocações. Que no amor de Cristo possamos nos espelhar, nos renovar e nos empenhar durante toda a nossa vida

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Festa da Comunidade Dom Bosco 2012 - Pau dos Ferros-RN

A Comunidade Dom Bosco da Cidade de Pau dos Ferros-RN está celebrando seus 20 anos de Comunidade e a festa de seu padroeiro em sua comunidade e convida a todos para juntos celebrar essa grande festa. Sinta-se todos convidados

O SENHOR COLOCOU-NOS NESTE MUNDO PARA OS OUTRO
                                                                                      (Dom Bosco)


quinta-feira, 9 de agosto de 2012

É saudade de Deus, sua alma está com saudade de Deus!

Nestes dias vivi uma experiência de rezar com meus sentimentos. Estava um pouco mais recolhido, silencioso, quem olhasse de fora talvez pensasse “ele esta triste!” Havia um vazio e uma saudade, comecei a perguntar-me quais os motivos para tais sentimentos e continuei rezando, trabalhando, fazendo as coisas do dia a dia. No final do dia, no banho clamando a água Viva do Espírito de Deus, senti forte no meu coração: É saudade de Deus, sua alma está com saudade de Deus!



Então desci para capela, chamei outros irmãos que estavam em casa e expus o Santíssimo. Começamos a rezar e entregar tudo que estávamos sentindo a Jesus, rendendo nossa mente, inteligência, vontade e sentimentos a Jesus o Senhor e falando de nossas verdades. Ele nos acolheu como estávamos e depois de cantarmos um canto de adoração silenciamos e Ele nos falou com esta passagem bíblica: “Este é o mandamento, estas são as leis e os decretos que o SENHOR, vosso Deus, ordenou que eu vos ensinasse, para que os observeis na terra em que ides entrar para dela tomar posse. Assim, temerás o SENHOR, teu Deus, observando durante toda a vida todas as suas leis e mandamentos que te prescrevo a ti, a teus filhos e netos, a fim de que se prolonguem teus dias. E tu, Israel, ouve e cuida de os pôr em prática, para seres feliz e te multiplicares sempre mais, na terra onde corre leite e mel, como te prometeu o SENHOR, o Deus de teus pais. Ouve, Israel! O SENHOR nosso Deus é o único SENHOR.5.Amarás o SENHOR teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. E trarás gravadas no teu coração todas estas palavras que hoje te ordeno” (cf. Deuteronômio 6, 1-6).

Assim como é tão importante aprender a “ler”, conhecer os sinais do nosso corpo precisamos igualmente e até melhor conhecer os sinais de nossa alma, os apelos do nosso coração que clama por Deus, por silêncio, por oração. Não sabendo nos falta a docilidade e procuramos infelizmente em tantas outras coisas saciar a saudade, à vontade e os sentimentos de maneiras completamente erradas e nunca vamos ser felizes. Hoje procuramos soluções em tudo, remédios, terapias, em pessoas, em coisas. Não sou contra nada disso, realmente precisamos de todo esse conjunto e às vezes o nosso ser que é um todo, corpo, alma e espírito esta pedindo Deus, silêncio, oração, paz interior. Colocar Deus no lugar que verdadeiramente Ele deve ocupar o centro de nossas vidas.


A oração é o sacrifício espiritual que aboliu os antigos sacrifícios. Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado. Quem vos pediu estas coisas? (Is 1,11). O Evangelho nos ensina o que pede o Senhor: Está chegando à hora, diz ele, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Deus é espírito (Jo 4,23. 24), e por isso procura tais adoradores. Nós somos verdadeiros adoradores e verdadeiros sacerdotes, quando, orando em espírito, oferecemos o sacrifício espiritual da oração, como oferenda digna e agradável a Deus, aquela que ele mesmo pediu e preparou.

Esta oferenda, apresentada de coração sincero, alimentada pela fé, preparada pela verdade, íntegra e inocente, casta e sem mancha, coroada pelo amor, é a que devemos levar ao altar de Deus, acompanhada pelo solene cortejo das boas obras, entre salmos e hinos; ela nos alcançará de Deus tudo o que pedimos. Que poderia Deus negar à oração que procede do espírito e da verdade, se foi ele mesmo que assim exigiu? Todos nós lemos, ouvimos e acreditamos como são grandes os testemunhos da sua eficácia!

Nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome; e, no entanto ainda não havia recebido de Cristo toda a sua eficácia. Quanto maior não será, portanto, a eficácia da oração cristã! Talvez não faça descer sobre as chamas o orvalho do Anjo, não feche à boca dos leões, não leve a refeição aos camponeses famintos, não impeça milagrosamente o sofrimento; mas vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, aumenta a graça aos que sofrem com fortaleza, para que vejam com os olhos da fé a recompensa do Senhor, reservada aos que sofrem pelo nome de Deus. Outrora a oração fazia vir às pragas, derrotava os exércitos inimigos, impedia a chuva necessária. Agora, porém, a oração autêntica afasta a ira de Deus, vela pelo bem dos inimigos e roga pelos perseguidores. Será para admirar que faça cair do céu as águas, se conseguiu que de lá descessem as línguas de fogo? Só a oração vence a Deus. Mas Cristo não quis que ela servisse para fazer mal algum; quis antes que toda a eficácia que lhe deu fosse apenas para servir o bem.

Conseqüentemente, ela não tem outra finalidade senão tirar do caminho da morte as almas dos defuntos, robustecer os fracos, curar os enfermos, libertar os possessos, abrir as portas das prisões, romper os grilhões dos inocentes. Ela perdoa os pecados, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, conduz os peregrinos, acalma as tempestades, detém os ladrões, dá alimento aos pobres, ensina os ricos, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam, confirma os que estão de pé.

Oram todos os anjos, ora toda criatura. Oram à sua maneira os animais domésticos e as feras, que dobramos joelhos. Saindo de seus estábulos ou de suas tocas, levantam os olhos para o céu e não abrem a boca em vão, fazendo vibrar o ar com seus gritos. Mesmo as aves quando levantam vôo, elevam-se para o céu e, em lugar de mãos, estendem as asas em forma de cruz, dizendo algo semelhante a uma prece. Que dizer ainda a respeito da oração? O próprio Senhor também orou; a ele honra e poder pelos séculos dos séculos.

Do Tratado sobre a oração, de Tertuliano, presbítero
(Cap. 28-29: CCL 1,273-274)(Séc. III).

Adoradores verdadeiros ao Pai adorarão em espírito e verdade; Pois são tais adoradores que o Pai quer e procura. Deus é Espírito e aqueles que o adoram, o adoram em espírito e em verdade. Pois são tais adoradores que o Pai quer e procura (cf. Jo 4).

Jesus, companheiro e amigo da nossa vida

Estamos em Cesareia de Filipe. Jesus quer medir o “termômetro” sobre Si, então pergunta aos Seus discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Um profundo silêncio se espalha entre eles e, num tom celestial, Pedro responde: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.

Jesus ganha um adjetivo. Ele é o Cristo, o Ungido. O termo deriva do fato de, no Antigo Testamento, os reis, profetas e sacerdotes, no momento de sua eleição, serem consagrados mediante uma unção com óleo perfumado. Cada vez mais claramente, na Bíblia, fala-se de um Ungido ou Consagrado especial que virá, nos últimos tempos, para realizar as promessas da salvação de Deus a seu povo.

Toda a tradição primitiva da Igreja é unânime ao proclamar que Jesus de Nazaré é o Messias esperado. Ele mesmo, segundo Marcos, se proclamará tal ante o Sinédrio. À pergunta do sumo sacerdote: “És tu o Cristo, o Filho do Bendito?”, Ele responde: “Sim, eu o sou”.

Jesus aceita ser identificado com o Messias esperado, mas não com a ideia que o Judaísmo havia construído sobre o messias. Na opinião dominante, este era visto como um líder político e militar que livraria Israel do domínio pagão e instauraria, pela força, o Reino de Deus na Terra.

Jesus teve de corrigir, profundamente, esta ideia compartilhada por Seus próprios apóstolos antes de permitir que se falasse d’Ele como Messias. A isso se orienta o discurso que segue imediatamente: “E começou a ensiná-los que o Filho do Homem devia sofrer muito…” A dura palavra dirigida a Pedro, que busca dissuadi-Lo de tais pensamentos: “Afasta-te de mim, Satanás!” é idêntica à dirigida ao tentador do deserto. Em ambos os casos, tratam-se, de fato, do mesmo objetivo de desviar-lhe do caminho que o Pai lhe indicou, o do Servo sofredor de Javé, por outro que é segundo os homens, não segundo Deus.

Lamentavelmente, temos de constatar que o erro de Pedro se repetiu na história. Também determinados homens e mulheres da Igreja se comportaram – em certas épocas – como se o Reino de Deus fosse deste mundo e como se fosse necessário afirmar-se com a vitória sobre os inimigos, em vez de fazê-lo com o sofrimento e o martírio.

Todas as palavras do Evangelho são atuais, mas o diálogo de Cesareia de Filipe o é de forma todo especial. A situação não mudou. Também hoje, sobre Jesus há as mais diversas opiniões das pessoas: um Profeta, um grande Mestre, uma grande Personalidade. Converteu-se numa moda apresentá-Lo nos espetáculos e nas novelas, nos costumes e com as mensagens mais estranhas.

No Evangelho, Jesus não parece se surpreender com as opiniões das pessoas nem se preocupa em desmenti-las. Só propõe uma pergunta aos discípulos e, assim, o faz também hoje: “Para vós, para você, quem sou eu?”. Existe um salto por dar que não vem da carne nem do sangue, mas que é dom de Deus e é preciso acolhê-lo.

A cada dia, há homens e mulheres que dão este salto. Às vezes, trata-se de pessoas famosas – atores, atrizes, homens de cultura – e, então, são notícia. Mas infinitamente mais numerosos são os crentes desconhecidos. Em certas ocasiões, os não-crentes interpretam estas conversões como fraqueza, crises sentimentais ou busca de popularidade e pode dar-se que, em algum caso, seja assim. Mas seria uma falta de respeito à consciência dos outros arrojar descrédito sobre cada história de conversão.

Uma coisa é certa: os que deram este salto não voltarão atrás por nada deste mundo. Mais ainda: surpreendem-se de ter podido viver tanto tempo sem a luz e a força que vem da fé em Cristo. Como São Hilário de Poitiers, que se converteu sendo adulto, estão dispostos a exclamar: “Antes de conhecer-te, eu não existia”.

Tenho de proclamar o Seu Nome: Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo! Foi Ele quem nos revelou o Deus invisível. É Ele o Primogênito de toda a criação, é n’Ele que todas as coisas têm a sua subsistência. Ele é o Senhor da humanidade e o Seu Redentor que nasceu, morreu e ressuscitou por nós.

Ele é o centro da história do mundo. Conhece-nos e nos ama. É o companheiro e amigo da nossa vida, o homem das dores (Is 53,3) e da esperança. É Aquele que há de vir, que será finalmente o nosso Juiz e também – assim confiamos – a nossa vida plena e a nossa beatitude.

Padre Bantu Mendonça